Na cidade tomada pelo concreto, a relação do homem com a paisagem é carregada de simbolismos. Estas pinturas populares estampadas nos comércios e muros comportam lembranças e mitos daquilo que compreendemos culturalmente como natureza. Nada aqui é entendido como natural de fato, o que nos faz pensar com que moldura olhamos para uma paisagem. Neste sentido, o ideal do lugar intocado é construído como um movimento em busca do sentido da ligação do homem com o primitivo, reforçando o imaginário dos mitos de origem. A escala e a forma como as pinturas são colocadas no espaço remetem ao monumento. Um paisagismo urbano kitsch, um lugar para a contemplação do exótico com cores vibrantes, pôr do sol, montanhas e cachoeiras edênicas. Imagino o sujeito que contrata o pintor e a negociação dos elementos da cena que vai decorar o local do seu ganha-pão. Assim, todos os dias pela manhã, antes de abrir seu comércio, ele pode contemplar sua paisagem particular, possivelmente ‘melhor’ do que a vista da sua janela.
A abordagem do fotográfico evidencia a configuração desta paisagem no ambiente,
como um trabalho de catalogação do espaço urbano.
2010 (Série com 9 fotografias)
A abordagem do fotográfico evidencia a configuração desta paisagem no ambiente,
como um trabalho de catalogação do espaço urbano.
2010 (Série com 9 fotografias)



